quarta-feira, 20 de julho de 2011 | 12:03 | 1 Comentários

Nome civil como identidade

Sou Carla Amaral, sou de Curitiba, Estado do Paraná. Sou fundadora e atualmente estou na presidência do TMP – Transgrupo Marcela Prado - Associação de Travestis e Transexuais de Curitiba, instituição não governamental que atua na promoção e defesa dos Direitos Humanos saúde, educação e inserção social de pessoas Trans.

Hoje, com 38 anos de idade, amadurecida por ter vivenciado o processo de construção da minha identidade gênero muito precoce, desde a infância é acentuado meus desejos, atitudes e direcionamentos eram voltados sempre para o gênero feminino, mesmo nos momentos os quais me eram negados, nunca me percebendo de outra maneira, era natural para mim agir na condição de menina. Na adolescência, se tornou mais difícil o processo, as cobranças da família e da sociedade eram cada vez mais fortes, mas isso nunca foi barreira, pois a minha feminilidade se tornava assim mais evidente e definitiva.

Tendo como definitiva a minha condição de MULHER, mesmo sabendo que encontraria vários obstáculos, iniciei o processo de hormonização, entendia que se fazia necessário a construção corpórea do meu verdadeiro EU, A CARLA AMARAL. Além da hormonização, realizei diversas intervenções para atingir a imagem que eu havia idealizado e construído de mim mesma em quanto mulher.

Atualmente sou reconhecida pelo Estado como mulher (nome e gênero), depois de uma vida em busca do respeito, e dois anos em processo judicial, tive o reconhecimento do meu verdadeiro EU, cidadã brasileira. As discussões em relação ao nome das pessoas Trans (sejam elas, homens ou mulheres) ainda são polêmicas e de pouca aceitação social, é direito de toda cidadã e cidadão brasileiro ter NOME CIVIL, o que garante o pleno exercício da cidadania em quanto sujeito social. O Estado em todas as esferas garante políticas públicas de nome social para travestis e transexuais, mas isso não é garantia de direitos e respeito, transformando assim as pessoas Trans em apenas um APELIDO, por isso nome social no meu ponto de vista não é uma conquista.
Hoje posso falar definidamente como uma cidadã civil. Pois o nome social é apenas um apelido que da a entender que o sujeito social pode ser João ou Maria, ou ninguém. Uma pessoa Trans é única, e cidadã. NOME CIVIL SIM É UMA CONQUISTA para Travestis e Transexuais, pois este garante plenamente o exercício da cidadania das pessoas Trans em todas as esferas da sociedade.

De que adianta criar paliativos, com as resoluções, determinações, decretos, parênteses e projetos de lei para nome social, se ainda temos que implorar para que nos percebam, nos chamem e nos respeitem como realmente SOMOS...CIDADÃS(ÃOS).

Contato: carla_amaral2005@yahoo.com.br
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(41) 96381057

 
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