quarta-feira, 13 de julho de 2011 | 19:25 | 0 Comentários

“Vai buscar suas calcinhas no varal”

Na formatura, Marcelo teve que usar vestido. “Foi totalmente constrangedor, nesse dia eu tive certeza de que não sou mulher.”

Marcelo, 21, está estudando para concurso público
“Vai buscar suas calcinhas no varal”. É o que volta e meia Marcelo Caetano ouve da família, que se recusa a chamar as cuecas do rapaz de 21 anos pelo nome correto. Ele nunca se sentiu à vontade no corpo feminino em que nasceu. “Na infância não foi tanto um problema, porque eu tinha liberdade de me expressar como eu quisesse”, afirma. Na adolescência, cresceram os seios, veio a menstruação. “Veio também a imposição de me comportar como menina, sentar de perna fechada, e comecei a sentir atração por mulheres”, conta Marcelo.

Mesmo antes de assumir a personalidade masculina, ele sempre usou roupas pouco femininas – a exceção foi a formatura do ensino médio, em que teve que usar vestido e salto. “Foi totalmente constrangedor, nesse dia eu tive certeza de que não sou mulher.” Como está morando com a família enquanto estuda para um concurso público, precisa “suavizar” sua transexualidade, porque há conflitos. “Querem que eu use sutiã. A sorte é que eu tenho pouco peito”, diz. Para escondê-los, ele usa uma faixa, técnica chamada contenção.

Durante a faculdade, morando longe de casa, Marcelo descobriu o conceito de transexualidade e passou a entender melhor o que sentia. Aos 19 anos, decidiu cortar o cabelo curtinho. “Foi a primeira coisa que fiz para estabelecer a mudança. Depois, liguei para minha família para contar”, conta. Outro marco foi comprar a primeira cueca.

Marcelo não se depila – “Ficaria ainda mais difícil ser visto como homem”. Afirma que há cerca de um ano e meio a menstruação parou. Ele quer ainda tomar hormônios, que engrossam um pouco a voz e os pelos. “Estou juntando dinheiro para a mastectomia, pelo SUS é um processo bem longo”, conta.

A descoberta da transexualidade para ele é ainda bem recente, e, no geral, ele afirma que passa despercebido. “Sou chamado de Marcelo em todos os lugares que vou e que não tenham relação com minha família. Todo mundo me vê como homem no cursinho, na academia. Vou nos banheiros masculinos”, diz. Mesmo com essa inserção, ele ainda está se adaptando. Apesar de não fugir dos clínicos gerais, por exemplo, Marcelo não admite a possibilidade de ir ao ginecologista. Nunca foi. “Nem pretendo, nunca!”, garante.

Fonte: iG

 
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